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Sustentabilidade guia escolha de embalagens de alimentos

Sustentabilidade guia escolha de embalagens de alimentos

Post 17-09

Até pouco tempo atrás, dois fatores guiavam as empresas de alimentos e seus departamentos de marketing para a escolha de embalagens, seja de produtos para food service ou consumidor final: a segurança, ou seja, a capacidade de conservar e proteger o produto, e o custo. A esta equação, algumas vezes se acrescentava o potencial visual, que se traduz na capacidade de a embalagem ter formato e rotulagem que a destaque na gôndola. Hoje, guiadas pela necessidade de obedecer a critérios ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), as multinacionais e grandes companhias nacionais estão sendo desafiadas a fazer outras perguntas antes de definir como vão entregar seus produtos.A embalagem é degradável? É reciclável e revalorizável? Já há uma cadeia de logística reversa da embalagem escolhida que permita que o material se transforme novamente em outra embalagem ou em outro produto que também possa ser reciclado? Nós, do segmento de embalagens de aço, temos percebido claramente esta mudança de tendência no marketing de produtos: as empresas estão deixando para trás embalagens de materiais complexos e migrando para as de cadeias sustentáveis.Um exemplo recente é a Gomes da Costa que, em junho último, anunciou a substituição das tampas de suas latas de patês, que eram de plástico, por tampas de aço. Agora, tanto a lata quanto a tampa são produzidas com aço, material 100% e infinitamente reciclável. Ao anunciar a decisão, a empresa declarou sua preocupação ambiental, já que o plástico de uso único é um dos principais responsáveis pela poluição terrestre e marinha.

Essa tendência de troca de embalagens começa a chegar também, de forma inovadora, a produtos de higiene e limpeza. A Unilever anunciou mundialmente, em junho, a substituição das embalagens dos sabões líquidos, originalmente em pouch ou garrafas plásticas, por uma garrafa de celulose de origem sustentável. A partir de 2022, os consumidores poderão encontrar a marca Omo na nova garrafinha e o projeto piloto será executado no Brasil.Com consumidores mais conscientes, que exigem das empresas posturas coerentes relacionadas a sustentabilidade e diversidade, as companhias começam a ser pressionadas, também, por governos de todo o mundo. Neste mês de julho, a Alemanha anunciou a proibição definitiva de comercialização de plásticos descartáveis e embalagens de isopor de uso único.No Brasil, já há dezenas de projetos de lei para a proibição de utilização de embalagens não sustentáveis em produtos de consumo rápido. Um deles (PL 2056/2021), apresentado em junho pelo deputado Alexandra Frota (PSDB/SP), visa proibir a fabricação, comercialização e reuso de embalagens de plástico para tintas imobiliárias em todo o território nacional. Os baldes plásticos de tintas, além de representarem risco ao meio ambiente, colocam também em risco a saúde da população quando reutilizados para armazenamento de água ou alimentos.

O resultado de todo este movimento é que o fator custo não será mais preponderante na escolha das embalagens. Nas décadas de 1980 e 1990, o segmento de embalagens de aço acompanhou, com pesar, a migração de alguns segmentos para embalagens mais baratas. Quem não se lembra da lata de óleo de soja em aço que, além de 100% e infinitamente reciclável, protegia integralmente o produto da oxidação, sem necessidade de adição de conservantes químicos? E quem não se recorda dos potes de vidro para maionese?Por isso, gostaria de sugerir algumas perguntas que as empresas deveriam fazer ao escolher suas embalagens. O material é reciclável? É revalorizável? É degradável? É de cadeia infinita ou regenerativa? A embalagem já tem cadeia de logística reversa consolidada?Alguns materiais de embalagem já estabeleceram uma cadeia de logística reversa eficiente. Vejamos o exemplo do alumínio e do aço.

O segmento de latas de aço, por meio da Prolata, criada em 2012 pela Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), conseguiu implantar uma cadeia de reciclagem que reúne fabricantes, varejistas, consumidores, catadores e indústria siderúrgica. Hoje, são 55 cooperativas parceiras, em 31 municípios e 11 estados, mais o Distrito Federal. No ano passado, foram coletadas 22 mil toneladas de latas de aço que, encaminhadas a siderúrgicas, se transformaram em aço novamente.Ao pensar em embalagens, além da segurança dos alimentos, devemos urgentemente pensar em cadeias, pensar no retorno das embalagens e na sustentabilidade das indústrias.

Fonte: Conecta Verde – 19/08/2021

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