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Sustentabilidade e Economia Circular – Qual a importância das Embalagens?

Sustentabilidade e Economia Circular – Qual a importância das Embalagens?

Post 21-08

Com o isolamento social adotado devido a pandemia de Covid-19, os consumidores estão notando quanto resíduo é gerado diariamente e repensando seus hábitos de consumo, optando por produtos que não gerem tanto lixo ou com resíduos que possam retornar à cadeia produtiva. Até então estávamos pautados pelo modelo de consumo linear, que considera apenas a produção, o consumo e o descarte pós-consumo. Este modelo acelera o esgotamento de recursos e não considera a revalorização de resíduos. A pandemia vem trazendo reflexões sobre a necessidade de rever e mudar a forma como consumimos, colocando nos holofotes a economia circular.

Com a economia circular surgem a informação, a possibilidade de uso integrado, o reaproveitamento, o repensar e o compartilhamento, reduzindo o desperdício. A circularidade muda a alma da economia. Na circularidade, o futuro é mais importante que o passado. Na circularidade, vale a atitude do consumidor. Na circularidade, criamos sistemas inspiradores para reflexão e decisão. Não temos como retornar ao velho modelo linear porque não vamos prosperar. Devemos pensar em forma cíclica e engajar todos os elos da cadeia produtiva. Dentro do conceito circular, podemos pautar o aço para embalagens, o qual preserva o valor inicial e é 100% reciclável e 100% reaproveitado. 80% de todo o aço produzido no mundo ainda está em uso, mas ainda há muito que se fazer. Precisamos repensar, de forma criativa, em como trazer de volta 100% dos materiais, para que construamos, de fato, um futuro.

Nesse sentindo, muito tem sido discutido para indicar soluções capazes de reduzir os resíduos gerados por embalagens, enquadrando o setor nas exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Temos como exemplo de ação eficaz a Prolata, associação criada pela Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), com o foco na correta destinação de latas de aço para reciclagem. A Prolata foi a primeira entidade gestora para logística reversa de embalagens reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente. Além de contar com quase 40 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em todo o País, a Prolata mobiliza hoje mais de 50 cooperativas de catadores e catadoras de materiais recicláveis, possui 6 entrepostos parceiros e 1 centro próprio de recebimento para grandes volumes. Desde a fundação da associação, em 2012, já foram coletadas e recicladas quase 33 mil toneladas de aço.

O objetivo da Prolata é criar condições para que a cadeia de reciclagem da lata de aço se complete, envolvendo os fabricantes de latas, fabricantes de produtos, cooperativas, consumidor final e indústria siderúrgica. Hoje, 100% das embalagens coletadas pela Prolata são recicladas por uma única siderúrgica parceira. Mas a iniciativa busca mais parcerias na indústria siderúrgica. O modelo de reciclagem instituído pela Prolata foi inspirado nos cases da Suécia e Suíça, países bem-sucedidos não apenas em seus índices de reciclagem, que chegam a 82% no caso das latas de aço, mas também nos modelos instituídos, que geram eficiência e preveem o compartilhamento de responsabilidade entre todos os elos da cadeia. O modelo de reciclagem que a Prolata está adotando no Brasil foi estabelecido após um rigoroso trabalho de benchmark em países europeus.

Embora a Alemanha, por exemplo, recicle 96% das latas pós-consumo, o modelo adotado é baseado em um padrão de logística reversa extremamente caro, gerenciado por empresas com finalidade lucrativa. Já na Suécia estabeleceu-se um sistema em que a cadeia de produção tem que criar condições para que o consumidor deposite suas embalagens voluntariamente, já as separando por categoria, o que dá eficiência ao sistema e reduz o custo. Além disso, na Suécia a gerenciadora não possui finalidade lucrativa.

Contudo, ações como essa não serão possíveis se não motivarmos o consumidor a colaborar. Muitos consumidores adquirem produtos embalados em materiais que não são recicláveis. É fundamental que os consumidores compreendam que levar produtos embalados em materiais recicláveis e reciclados de fato, como o aço, é uma economia para toda a sociedade. As latas de aço podem ser revalorizadas infinitas vezes e virar ferramentas, automóveis, geladeiras, dobradiças, maçanetas, vigas para construção civil e novas embalagens.  Além disso, podem ser facilmente separadas de outros materiais por meio de um processo magnético, que facilita a triagem para a reutilização. A sustentabilidade do aço ainda pode ser comprovada em seu processo de fabricação, pois as embalagens de aço pós consumo são fundamentais para a fabricação de novo aço.

Segundo dados mais recentes do Instituto Aço Brasil, 8,9 milhões de toneladas de sucata de aço foram recicladas em 2017. Entre os principais benefícios do uso do aço reciclado no processo de fabricação de novo aço temos economia energética de 74%, economia de matéria prima virgem de 90%, redução de 40% no consumo de água, redução de 76% de poluentes na água, redução de 86% de poluentes no ar, e redução de 97% de resíduos de mineração. Com a reciclagem do aço, as siderúrgicas economizam energia equivalente ao abastecimento de 18 milhões de residências por ano. As empresas começam a entender que precisam mudar e desenvolver novos produtos de acordo com a economia circular, inclusive as embalagens. A empresa que não se adequar não vai prosperar.


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André Rodrigues

 

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